Quero lhes apresentar Mitsi e Monstrinha, duas gatas com personalidades completamente diferentes. Enquanto Mitsi é velha, quieta e não muito fã de interação social, Monstrinha é uma bebê hiperativa carente e que ama morder, correr e incomodar. Apesar de suas alternâncias, aos poucos as duas estão se acostumando uma com a outra e aprendendo a conviver sem brigas.
Mas a família não acaba por ai. Também quero que conheçam Gordinho e Atena, respectivamente o machão mais covarde de todos e a donzela mais espoleta já vista. Gordinho tem medo de tudo e de todos, não mete uma pata pra frente sem antes pensar duas vezes. Atena, por sua vez, faz com que seu companheiro a siga por aventuras e perca o medo, pois a mesma tem a coragem de um leão. Por vezes ele tem que subir em lugares meio altos para ter um pouquinho de descanso, pois a espoleta não para um minuto - a não ser quando vê o pote cheio d'água. Dai ela sai correndo, enfia as duas patas dianteiras dentro do pote e começa a "cavar" na água. Vai entender.
Os quatro são minhas paixões, não tem um momento sequer que eu esteja triste que eu não vá junto a eles e os mesmos me façam dar altas risadas. Eles acalmam meu coração. Mas a pouco tempo descobri que grandes amores nos trazem grandes preocupações. Creio que não dá para você ter um sentimento tão bom sem um oposto de mesma intensidade para equilibrar.
Se não me engano no penúltimo post (preguiça de ir conferir) falei para vocês que o Gordinho e a Atena tinham sumido, lembram-se? Pois bem, passaram-se três dias sem que os aventureiros dessem as caras por aqui, e na minha vizinhança cachorro ou gato perdido só tem dois destinos: ou morrem por envenenamento ou são presos. Estava realmente muito triste e sentindo tanto a falta deles que a 2 noites atrás não consegui dormir, pois como a janela do meu quarto fica a apenas um andar acima da casinha deles, eu ouvia suas bagunças de madrugada e aquilo era a minha "canção de ninar".
Naquela noite fiquei tão triste por eles não voltarem que chorei a noite inteira com dor no coração - literalmente, até agora to pensando se não tive o começo de um ataque cardíaco, pois tive todos os sintomas de um (dor no peito, no braço, enjoo, tontura...) - até conseguir dormir. De meio dia, quando meu pai me acordou, ele disse: tem duas surpresas lá embaixo puramente enlameadas te esperando. Saí correndo e quando vi... O meu casal de aventureiros tinha voltado! Passei a tarde inteira brincando com eles e matando a saudade... Lembrei de uma frase que se encaixa literalmente nesse contexto: "Depois da chuva sempre vem o arco-íris". Foram três dias de chuva, e quando fez sol, meus arco-íris voltaram pra casa e coloriram o cinza que tinha ficado no meu coração.
Mas agora... Agora minha Monstrinha me preocupa. Meu anjinho está tendo diarréia mesmo comendo somente ração. E não me preocuparia tanto já que ela ainda tá super ativa, brincalhona e etc, se já não tivesse visto um dos meus bebês ter um desses sintomas e no fim morrer.
Max era o nome do meu cachorrinho, um bebê lindo e animado que adorava lamber. Um dia Max foi ficando quietinho, retraído, com diarréias... Foi levado para a Veterinária da UPF e lá constataram que ele tinha uma doença que ainda não tinha cura (desculpem, não lembro o nome). Demos remédios, colocamos fraudas porque ele não controlava mais seu intestino e bexiga, e aos poucos víamos nosso bebê definhar, emagrecer, vomitar qualquer coisa que lhe dávamos para comer. Tivemos de começar a dar vitaminas líquidas por uma seringa na garganta dele e água da mesma forma para ele não desidratar. Trocávamos sua fralda e lavava-o no mínimo umas 5x por dia. Chegou um momento em que Max era somente pele e ossos, literalmente. Não tinha mais forças para andar, para resmungar, sua carinha era deprimida e cansada.
Levamos Max mais uma vez na Veterinária da UPF e imploramos para que fizessem alguma coisa. O doutor disse que eles tinham em andamento um estudo experimental, um remédio ainda na fase de experiências para aquela doença, e que se quiséssemos, poderíamos deixar Max entrar nesse programa. Sabíamos que as chances de dar certo não eram boas, mas aceitamos, pois era ele morrer em nossas mãos inúteis ou morrer em mãos que tentavam salvá-lo.
Ao lembrar dessa próxima cena, eu não tenho como não me emocionar. Porque eu sinto toda a dor de um bebê, um cachorrinho inocente e lindo que foi escolhido injustamente por essa doença cruel. O doutor pediu para que colocássemos Max em cima da mesa, e quando o fiz, ele tremia de medo, e por isso mantive-me o mais próxima possível da mesa para que seu corpinho ficasse junto ao meu, e ele se acalmou um pouco quando o abracei. Tive de me separar quando tiraram sua fralda, e lá estava aquele olhar envergonhado e triste do meu bebê. Ele olhava para nós como se dissesse "eu não consegui controlar, desculpem pela sujeira de novo...". E eu, fraca, comecei a chorar nesse momento porque ele estava com medo, sujo, triste, envergonhado e exposto naquela mesa.
Eu me culpo até hoje por meu pai ter que me conduzir até o banheiro para que eu pudesse lavar minhas mãos e depois meus olhos. Me culpo por não ter ficado do lado de quem mais precisava de mim naquela hora. Minutos depois eles colocaram o Max numa caixa de metal para transportá-lo até uma para uma área isolada sem correr o risco de contagiar os outros cachorros. Aquela foi a última vez que o vi, pois três dias depois meu pai recebeu uma ligação dizendo que o Max tinha morrido.
Max ficou pouco tempo conosco, mas o suficiente para entrar no meu coração para sempre. Creio que Deus o colocou em minha vida apenas para me mostrar que por mais que estejamos sofrendo, por mais que a doença seja cruel e nos faça perder a dignidade, a força, a alegria... Nós precisamos ter forças. Aquele cãozinho me mostrou isso no dia em que estávamos na UPF para pegar a receita dos remédios dele, e eu o coloquei no chão, me afastei um pouco e fiquei chamando ele. No começo ele hesitava, me olhava triste como se dissesse "não sei se consigo ir até você". Mas no fim, depois de uns minutos ele juntava todas as forças e dava uns passinhos fracos e bamboleantes. Mas vinha ao meu encontro. E eu lembro que quando ele chegava, eu o pegava no colo, enchia de beijos e comemorava como se fosse a coisa mais importante do mundo. E era... Max foi meu mundo e meu maior exemplo de força na adversidade. E quando ele via que eu ficava feliz por gestos tão singelos dele, ele dava uma lambidinha no meu rosto como forma de agradecimento pela alegria.
Nesse quesito ainda tenho uma grande mágoa com Deus por deixar isso acontecer com um bebê. Sei que Ele tem seus propósitos e não cabe a mim sabê-los ou tentar descobrir, mas por vezes não gostamos do jeito que as coisas ocorrem. Max me fez crescer muito como pessoa, me fez ver que nem o maior mal das nossas vidas pode tirar alguns momentos de felicidade, e que nós deixamos partes preciosas de nós mesmos nos outros para sempre. Ele me deu seu coraçãozinho, e eu o cuido até hoje.
Agora Monstrinha também está com diarréia, mas ainda com animação total, porém estou com medo de que seja a mesma doença. Oro a Deus que não deixe isso acontecer de novo, porque ainda não me curei de uma dor de anos atrás, e não sei se suporto ver outro bebê definhar na minha frente.
Creio que a única profissão que eu jamais poderei exercer é a de veterinária. Sofro demais pelos bichinhos hahaha.
Um beijo enorme para os corajosos que leram esse livro que escrevi!
Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão
Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão
Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei
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