Pranteei a algum tempo o fato de que deixei uma Luana muito melhor, inocente e feliz que eu para trás, e aprendi a aceitar e tentar melhorar a que aqui vos escreve. É um fato consumado; ou aprendo a me entender ou fico pra sempre batendo na mesma tecla, de como gostaria de voltar no tempo.
Mas aqui vai algo que eu não sabia que ainda tinha em mim: a capacidade de sentir a perda dos meus animais. Não me leve a mal caro leitor, eu sempre amei todos que passaram por mim, mas quero dizer que quando era mais nova, toda vez que um deles se ia, eu chorava e passava dias chorando, e a mera lembrança dos mesmos me fazia chorar. Por mais que seja clichê, devo dizer, eles sempre foram melhores que os humanos para mim.
O caso é que fui crescendo, e como disse, deixei uma versão de mim mesma (essa que se deixava sentir) para trás. e se tem algo que eu não gosto é que não sofro pelos meus animais da mesma forma que antes. Não me permito sentir, por mais que queira. Uns dois ou três meses atrás meu cachorro sumiu. Por mais que tapássemos os buracos, ele cavava novos e saia passear, mas sempre voltava, afinal de contas, aqui era sua casa e onde tinha seu melhor amigo, meu outro cachorrinho. Um dia não voltou mais, e soubemos que alguém havia o pego porque ele nunca deixaria de voltar se ouvisse os uivos tristes do amigo como eu os ouvi. Eu não me permiti chorar, não me permiti sucumbir a dor a qual eu lembrava perfeitamente como era. Transformei tudo em raiva e foi assim que segui.
Mas agora minha gatinha Branca, de apenas alguns meses de idade, sumiu. E como meu cachorro, ela nunca deixaria a casa, pois se tinha uma coisa que amava era brincar com o Gordinho e a Atena (meus dois outros cachorros). Ela nunca saiu do pátio, sua maior aventura ainda era descobrir os mistérios do quintal e tentar brincar com a Mitsi (minha gata mais velha). Creio eu que na única vez que ela tentou se aventurar fora de casa, foi pega. Digo a vocês, quando meu pai me contou, fiquei apenas em choque. Mas isso mudou.
Fazem 3 dias que ela está desaparecida. Hoje, ajeitando meus arquivos e fotos dentro de pastas certas, vi um vídeo que havia gravado no começo desse ano, dela fazendo traquinagem no sofá de casa. Como eu disse, a dor da perda para mim demora, mas vem, e eu me permiti sentir. Não choro, contudo, mas acho que esse aperto no coração, essa sensação ruim de que tem algo muito importante faltando, supera qualquer lágrima.
Quisera eu poder chorar, mas não me permito. Lágrimas aliviam, e eu preciso sentir... Preciso saber que posso sentir essa falta de alguém que amo, preciso saber que de tudo, um pouco ainda restou de mim.
Hoje, meus amigos, é o dia em que eu vou me permitir prantear pela minha gatinha, pelo meu cachorro, pelo fim de um relacionamento longo e bom, pelo distanciamento de um dos meus melhores amigos, pela saudade de minha mãe, pela saudade de mim mesma. Porque hoje, apenas hoje, eu não vou aceitar as coisas como um fato consumado, que não pode ser mudado. Nestes minutos, eu quero perguntar "porque isso aconteceu?". Agora, eu quero ser apenas eu na forma que não quero ser, quero ser fraca e não ter nenhuma exigência para mim mesma. Só hoje.
Nenhum comentário:
Postar um comentário